O TDC São Paulo 2026 acontece nesta semana com uma programação que coloca agentes de IA, automação e Engenharia de IA no centro da discussão. A presença de empresas como Nubank, Google, Mercado Livre e AWS mostra como o debate está avançando da experimentação com IA para questões de desenvolvimento, infraestrutura, governança e aplicação prática nas organizações.
TDC 2026 acontece nesta semana em São Paulo
O The Developers Conference (TDC) chega à sua 20ª edição em São Paulo entre os dias 23 e 25 de setembro de 2026. O evento será realizado no Pro Magno, na capital paulista, em formato híbrido, com participação presencial e acompanhamento online.
A programação reúne desenvolvedores, arquitetos de software, engenheiros, especialistas, líderes técnicos e executivos. Entre as empresas representadas estão Nubank, Google, Mercado Livre, AWS, Microsoft, Itaú, iFood, Oracle e Grupo Boticário.
Mais de 20 trilhas em três dias
O TDC terá mais de 20 trilhas temáticas, cobrindo áreas como arquitetura cloud, engenharia de dados, APIs e microsserviços, segurança, UX, desenvolvimento web, produto e growth.
A inteligência artificial aparece integrada a diferentes áreas, em vez de ficar restrita a uma única discussão. Entre os temas estão agentes de IA, Governança de IA, Engenharia de IA, AI Code & Automação e Physical AI.
Por que o evento interessa ao mercado
Para empresas, a programação mostra que a discussão sobre IA está ficando mais ampla. Além da capacidade dos modelos, entram na pauta questões como infraestrutura, segurança, desenvolvimento, governança e integração com processos.
Esse movimento é relevante porque organizações que avançam na adoção de IA precisam lidar com a distância entre testar uma ferramenta e colocá-la funcionando de maneira consistente dentro da operação.
Agentes de IA ganham espaço na programação

Agentes de IA estão entre os principais temas da programação do TDC São Paulo 2026.
A discussão sobre agentes de IA é um dos pontos centrais do TDC 2026. Diferentemente de uma aplicação que apenas responde a uma solicitação, um sistema agêntico pode combinar um modelo de IA com ferramentas, dados e etapas de execução para realizar tarefas dentro de um fluxo definido.
Na prática empresarial, isso coloca uma questão diferente para as equipes de tecnologia: não basta avaliar se um modelo produz uma boa resposta. É preciso pensar em como o sistema será integrado, controlado, monitorado e utilizado dentro de uma operação real.
A AWS leva IA agêntica para o evento
A AWS preparou uma programação específica sobre o assunto. Entre as sessões divulgadas estão uma apresentação sobre IA agêntica em tempo real e detecção de anomalias em escala, marcada para 23 de setembro, e outra sobre arquitetura de agentes e machine learning para aplicações financeiras, no dia 24.
Também está prevista uma sessão sobre AI-DLC, voltada à industrialização do ciclo de vida de software no contexto de sistemas agênticos. Os temas aproximam a discussão de situações concretas de engenharia e operação.
Do modelo para o processo
Esse é um dos pontos que tornam os agentes relevantes para empresas. O interesse deixa de estar apenas na geração de texto ou código e passa a envolver a execução de etapas de processos.
Isso pode significar conectar um sistema de IA a ferramentas internas, bases de dados ou serviços corporativos. Mas essa arquitetura também aumenta a necessidade de controles, porque um sistema com capacidade de executar ações exige regras claras sobre permissões, dados e supervisão.
Engenharia de IA coloca o foco na produção
A programação do TDC também aborda um problema que aparece quando projetos de inteligência artificial deixam a fase de demonstração: como colocar essas soluções em produção e mantê-las funcionando.
Uma das trilhas do evento trata de Engenharia de IA e aborda a passagem do protótipo para a escala, incluindo LLMOps e infraestrutura de IA. LLMOps reúne práticas usadas para administrar aplicações baseadas em grandes modelos de linguagem ao longo de seu ciclo de vida.
O desafio depois do protótipo
Criar uma demonstração com IA pode ser relativamente simples quando comparado ao trabalho necessário para integrar uma aplicação a sistemas corporativos.
Em produção, entram questões como disponibilidade, monitoramento, segurança, desempenho, custos de processamento, qualidade das respostas e manutenção. A infraestrutura também precisa acompanhar o volume de utilização sem transformar o projeto em uma operação difícil de controlar.
Automação também chega ao desenvolvimento
O TDC inclui ainda a trilha AI Code & Automação, conectando inteligência artificial ao próprio processo de desenvolvimento de software.
O tema ganha importância à medida que ferramentas de IA passam a participar de atividades como geração e revisão de código. Um exemplo brasileiro ajuda a dimensionar esse movimento: a B3 já aparece em uma aplicação prática desse tipo de tecnologia, com uso de IA na programação e redução no tempo de entrega.
Essa aplicação foi detalhada pelo Notícia Tech em como a B3 usa IA para programar e reduz em 35% o tempo de entrega.
O caso ajuda a contextualizar por que a discussão do TDC não está limitada aos modelos de IA. A questão também é como incorporar essas ferramentas aos processos existentes sem perder controle sobre qualidade e segurança.
Physical AI leva a inteligência artificial para o mundo físico

O conceito de Physical AI amplia a discussão sobre inteligência artificial para sistemas capazes de interagir com o ambiente físico.
Outro destaque do TDC 2026 é a trilha Physical AI, marcada para 25 de setembro. O conceito amplia a discussão tradicional sobre aplicações digitais de IA para sistemas que percebem o ambiente e podem participar de ações no mundo físico.
Da tela para o ambiente físico
Em uma aplicação convencional, a IA pode analisar dados, gerar texto ou auxiliar uma pessoa em uma interface digital. Na chamada Physical AI, a inteligência artificial passa a ser relacionada a sistemas que precisam interpretar informações do ambiente e interagir com ele.
Robótica é um dos campos associados a essa abordagem. Isso adiciona novas exigências técnicas, porque decisões tomadas por sistemas computacionais podem precisar considerar sensores, movimento, segurança e condições físicas.
Uma discussão que interessa à indústria
Para empresas, o assunto pode alcançar áreas como manufatura, logística e operações automatizadas, embora cada aplicação dependa de seus próprios requisitos técnicos e econômicos.
A presença de Physical AI entre as trilhas do TDC indica que o evento pretende discutir a IA não apenas como software, mas também em sua relação com sistemas físicos e automação.
Governança passa a acompanhar a adoção de IA

Governança de IA envolve decisões sobre riscos, segurança, responsabilidade e uso da tecnologia dentro das organizações.
A programação também reserva espaço específico para Governança de IA. O tema trata de uma camada que ganha importância conforme as organizações ampliam o uso da tecnologia.
Para uma empresa, adotar IA significa mais do que escolher um modelo. É necessário estabelecer regras sobre dados, acesso, segurança, responsabilidades e formas de acompanhar o comportamento das aplicações.
O debate sai do laboratório
Esse aspecto aproxima a IA da gestão empresarial. Uma aplicação pode funcionar tecnicamente e ainda assim exigir revisão de processos antes de ser utilizada em larga escala.
Por isso, governança aparece ao lado de temas como risco, investimento, competitividade e transformação organizacional. São questões que envolvem não apenas profissionais de tecnologia, mas também áreas responsáveis por decisões estratégicas.
O papel dos executivos
O TDC também terá um Fórum Executivo, direcionado a líderes e executivos, com discussões sobre impacto, risco, governança, investimento e direcionamento estratégico.
A existência desse espaço reforça uma característica importante da edição de 2026: a IA está sendo tratada simultaneamente como questão técnica e empresarial.
Esse cenário também aparece em outros levantamentos sobre o mercado brasileiro. O Notícia Tech já analisou como empresas brasileiras estão avançando para níveis mais altos de adoção de IA, mostrando que a discussão sobre inteligência artificial empresarial vai além da escolha de ferramentas.
O que o TDC 2026 mostra sobre a próxima fase da IA
A programação do TDC São Paulo 2026 ajuda a visualizar uma mudança no foco das discussões corporativas. Os temas não se concentram apenas em apresentar novos modelos ou ferramentas, mas em como construir sistemas, integrá-los aos processos e administrar os riscos associados à adoção.
A distância entre experimentar e operar
Agentes de IA, Engenharia de IA, automação e governança aparecem como partes conectadas do mesmo problema: transformar capacidade técnica em aplicações que possam ser utilizadas dentro das organizações.
Essa conexão é relevante porque o valor de uma solução empresarial não depende apenas do que o modelo consegue produzir. Também depende de infraestrutura, integração, segurança, controle e capacidade de manutenção.
O que acompanhar durante o evento
Entre 23 e 25 de setembro, as discussões do TDC devem mostrar quais desafios técnicos e organizacionais estão recebendo mais atenção de profissionais que trabalham diretamente com IA e software.
Para quem acompanha a adoção da tecnologia nas empresas brasileiras, o principal ponto de observação será justamente a passagem da IA como ferramenta experimental para sistemas incorporados aos processos de negócio.
É nessa etapa que agentes, automação, engenharia e governança deixam de ser assuntos separados e começam a fazer parte da mesma arquitetura de transformação digital.

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